CAPÍTULO 7 - Nicole

Ao descermos, nos deparamos novamente com aquele monte de gente. Hollie e Sophie estavam próximas do palco, e lá também estava Oliver. O mesmo garoto que havia me convidado para sair naquela manhã e que havia demonstrado interesse em mim, o qual Evan havia me alertado. E a bela e inocente Hollie, agarrada a seu pescoço. Ao vê-los, Evan ficou pálido e logo em seguida enrubesceu. Não pude compreender sua expressão. Sequer disse alguma coisa. Virou as costas e saiu, empurrando quem quer que estivesse em seu caminho.
Sophie me viu logo em seguida e deixou cair seu copo com bebida, molhando os pés de Hollie. Ela subitamente soltou o pescoço de Oliver, porém quando foi começar a xingar Sophie, notou minha presença. Sua boca abriu-se, como se fosse dizer alguma coisa, mas foi impedida por Oliver.
- Ah, Nick! – Disse ele, sorrindo maliciosamente – Estive procurando por você antes...
- E então me confundiu com Hollie?
Seu sorriso se desfez. A garota estava extremamente vermelha.
- Eu... Eu posso explicar – gaguejou ela.
- É claro que pode. – Respondi, mas não esperei por uma resposta. Virei-me e segui andando entre a multidão. Algumas das pessoas que estavam em volta perceberam o que acontecia e viraram-se para olhar, mas logo retomaram o que quer que estivessem fazendo. Subi a escada rapidamente. Não estava profundamente magoada com Oliver, afinal o havia conhecido naquela manhã, mas não pude deixar de me sentir um pouco irritada. Que tipo de pessoa faz isso? Quer dizer, com o seu “melhor amigo”?
Não era muito boa em conselhos, mas sentia que precisava falar com Evan. Se ele realmente a amava, isso provavelmente seria um choque e tanto. Mas uma vez que a confiança é perdida, é difícil recuperá-la novamente.
Finalmente adentrei a noite gelada. Segui em direção aos dormitórios, e por fim, ao meu quarto. Nem Sophie nem Hollie seguiram-me até o lado de fora. Também não encontrei Evan em lugar algum durante o percurso.
***
Não notei a hora que Sophie entrou no quarto. Provavelmente algumas horas depois de eu ter pego no sono, mas na manhã seguinte ela havia acordado antes de mim. Na verdade, parecia nem ter dormido a julgar pelas enormes olheiras que se formavam em baixo dos seus olhos. Não trocamos nenhuma palavra até eu ter terminado de me arrumar para o segundo dia de aula.
- Nick...
- Sim?
- Precisamos conversar. Sobre ontem.
- Ok. Diga.
- Eu juro que não sabia o que estava acontecendo.
- E...?
- Eu saí para buscar um copo de refrigerante, e quando voltei tive a mesma surpresa que você. – Disse ela.
- Ainda não estou entendendo o que isso tem a ver comigo.
- Bom... Você não gosta de Oliver?
- O quê? Eu estou aqui há 48 horas, como posso gostar de alguém que nem conheço?
- Hollie achou que...
- Hollie deveria “agir” mais e “achar” menos. Quer dizer, Evan estava comigo ontem.
- Então vocês...? – Ela arregalou os olhos.
- Não! Não seja idiota. Quis dizer que ele estava comigo quando vi Oliver e Hollie juntos. Só que ele não ficou ali olhando pra eles. Saiu antes de você chegar. Não sei se os dois o notaram. Pareciam ocupados demais.
- Hollie achou que ele ainda não soubesse...
- Bem, ele sabe.
- Eu estive com ela ontem à noite, depois da festa. Ela logo voltou para o seu dormitório quando você saiu de lá. Chorava muito e dizia que não sabia o que estava pensando.
- Por que as pessoas sempre dizem esse tipo de coisa depois de fazer alguma burrada? Quer dizer, todos sabemos que atos geram consequências depois. Não ficaria surpresa se Evan terminasse com ela hoje mesmo.
- Eu também. Nem um pouco. Foi muito estúpido da parte dela. – Respondeu Sophie – Mas sou amiga de Hollie desde que me entendo por gente. Desde sempre. Ela não é o tipo de pessoa que faria algo assim em sã consciência.
- Está sugerindo que ela estivesse bêbada?
- Acho que sim.
- Ok. – Olhando para o relógio, percebi que faltavam apenas 10 minutos para a aula começar. – Precisamos ir. Sua primeira aula é comigo, não?
- É sim. – Disse – então está tudo bem entre a gente?
- Está sim. – Sorri para Sophie. Peguei minha bolsa e segui para o outro prédio. Ela foi comigo. Não encontramos Hollie no caminho.
O resto do dia foi normal, na medida do possível. Sem Oliver. Sem Hollie. Minhas primeiras duas aulas foram com Sophie. Sempre fora uma boa aluna, e me adaptar estava sendo fácil até então. Na terceira aula, deparei-me com Evan. A mesa ao seu lado estava vazia, então aproveitei a oportunidade. Queria saber como ele estava. Apesar de não ter simpatizado com ele logo no início, após conversarmos bastante, ele parecia uma boa pessoa. E não merecia passar por uma situação como aquela. Sua expressão não era muito convidativa, mas resolvi arriscar.
- Olá...
- O que foi? – Disse ele, olhando-me enquanto sentava ao seu lado.
- Queria saber se está tudo bem, sabe, depois de ontem.
- Olha só, por que você não vai cuidar da sua vida? – Respondeu ele.
- Desculpe.
- Não, – ele respirou fundo. – Desculpe. Eu só estou um pouco estressado. Um pouco, ou muito. E você sabe o porquê. Apesar de você ter sido um pouco indelicada.
- Tudo bem.
- Não devia ter sido grosso com você.
- Bom, já que tocou no assunto, realmente não devia, porque vim aqui na melhor das intenções. - Ele me encarou seriamente e eu ri. - Estou brincando. Entendo como se sente.
- É?
- Não realmente. Mas podemos dizer que já fui decepcionada muitas vezes.
E ele, finalmente, sorriu para mim.  Não há exatamente uma maneira para descrever como me senti naquele momento. Algo parecido com uma espécie de alívio.
- Sinto muito por isso. – Disse ele.
- Não é nada demais.
A aula passou rapidamente. Não trocamos mais muitas palavras depois disso, até que o sinal que anunciava o fim do período soou. Hollie não também não compareceu ao quarto tempo, que seria comigo, porém Oliver estava lá. Não ousou olhar na minha cara pelos primeiros vinte minutos da aula, e depois de uma ou duas olhadas para trás, onde eu estava sentada, pediu que me alcançassem um bilhete indicando que queria falar comigo após o término das atividades na escola durante aquele dia, o que seria por volta das 17h.
Havia marcado de esperar Sophie ao meio dia em frente ao corredor, para que voltássemos juntas para o dormitório. Ela estava atrasada pelo menos 5 minutos. Tempo suficiente para que Oliver tomasse a iniciativa de vir falar comigo. Estava escorada em um dos pilares que sustentava o prédio da escola quando ele parou em frente a mim.
- Ei, novata.
- Hm... O que foi? – Perguntei, desconfiada.
- Sei que disse que queria falar com você mais tarde, mas pode ser agora também. Gostaria de almoçar comigo?
- Desculpe, o que? – Eu estava completamente surpresa. Ele estava pedindo para que saísse com ele menos de 24 horas depois de ter flertado comigo e beijado a namorada do melhor amigo.
- Bem, é... Preciso esclarecer algumas coisas a você.
- Tipo o que?
- Sei que Evan deve ter dito coisas ao meu respeito. Mas não é verdade. Eu juro.
Arqueei as sobrancelhas e fiquei calada, esperando que prosseguisse. Estava curiosa para ouvir que tipo de mentira aquele canalha poderia inventar. Até que poderia chegar.
- Desculpe por ter beijado Hollie. Foi provavelmente a maior burrada que eu já fiz em toda a minha vida, e olha que eu já fiz muita merda. Mas eu estava bêbado, e ela começou a se insinuar. Não pude evitar que acontecesse.
- Ah, tudo bem. 
- Sério?
- Não. Por que você não dá o fora daqui? – Respondi. – Acha que eu sou idiota para cair em toda essa sua enrolação? Não sei com que tipo de garota você está acostumado a lidar, mas se essa conversa toda pega com elas, elas devem ser realmente muito burras.
O sorriso malicioso que ele carregava consigo desapareceu instantaneamente de sua face. Foi substituído por uma expressão de raiva e desprezo, parecida com a minha naquele exato momento.
Evan e Sophie haviam acabado de sair de sua sala de aula e vinham em minha direção. Ao perceber que Oliver estava ali, Evan despediu-se de Sophie e acenou para mim, que infelizmente não pude retribuir. Estava ocupada demais tentando me livrar do garoto. Sophie seguiu até mim.
- Olha só, garota, – ele baixou o tom de voz - se você acha que pode...
- Nick, vamos? – Sophie interrompeu, para a frustração de Oliver.
- É claro. Oliver já estava de saída, e eu também.
Pedi licença para o garoto e caminhei com Sophie até o final do corredor. Andávamos rapidamente, até que encontramos Hollie nos esperando na escadaria do prédio dos dormitórios. Sua cara estava inchada, mas não sabia se de chorar ou dormir. Provavelmente ambos. Fez sinal com a cabeça para que fossemos com ela até seu quarto, e Sophie respondeu que iríamos assim que largássemos as coisas e fizéssemos alguma coisa para comer. Ela assentiu e voltou para o dormitório.
Após largarmos nossas bolsas, nos dirigimos até a cozinha e preparamos torradas. Três. Uma para Hollie. Decidimos que seria melhor comer em seu quarto. Minutos depois, nos encontrávamos na porta de seu quarto com as torradas e três latas de refrigerante.
- Entrem – disse ela após batermos na porta. – Está destrancada.
Ela estava deitada, com as cobertas puxadas até o nariz. Seus olhos permaneciam inchados e ela soluçava novamente. Sentamo-nos ao lado dela.
- Trouxemos para você. – Disse-lhe enquanto alcançava pra ela uma torrada e refrigerante.
- Estou sem fome.
- Ah, Hollie, qual é! – Disse Sophie. – Não adianta nada ficar assim e você sabe disso muito bem.
- Desculpe, mas não é algo que eu consiga controlar! Nick, eu realmente não queria ter feito aquilo, é sério, desculpe...
- Olha... não é pra mim que você tem que pedir desculpas.
- Eu sei, mas preciso começar por algum lugar. Você me perdoa? – Perguntou ela.
- Eu não tenho motivos para desculpar você. Não fez nada contra mim.
- Obrigada.
- Como está se sentindo? – Questionou Sophie, embora ambas já soubéssemos a resposta.
- Terrível. A pior namorada da face da Terra. Do universo. Ele nunca mais vai querer nada comigo, sei disso.
Nós duas ficamos em silêncio.
- Por que eu fui inventar de tomar aquela maldita cerveja? Sabia que não conseguiria parar depois de uma, e mesmo assim tomei. E depois outra, e outra. Estava completamente bêbada. Não lembro direito do incidente, só de que ele me puxou e de repente vi você, lá, parada.
- Não chegou a ver Evan?
- Céus, ele viu?
- Ele estava lá. Comigo. Poucos segundos antes de vocês se virarem, mas então decidiu não ficar esperando para ver o que aconteceria.
- Meu Deus, eu sou tão estúpida! Ele não vai me perdoar. Nunca.
- Devo admitir que sua expressão naquele momento não era das melhores... – Comentei.
- Nick! – Sophie advertiu. – Hollie, talvez você devesse tentar falar com ele. Já fez isso? Mandou mensagem, tentou ligar...?
- Você acha que já não tentei? Liguei pro celular dele a manhã toda, mas só dava na caixa de mensagens. E ele não responde minhas mensagens.
- Ele estava na aula, talvez tenha sido por isso... – disse Sophie, enquanto Hollie começava a chorar novamente.
- Eu quero morrer. Por que eu bebi?
E naquele momento, toda a irritação que estava sentindo veio à tona. A irritação com Oliver, minutos antes e até mesmo com Hollie. Por que algumas pessoas aproveitam para fazer besteira depois que bebem algo e depois colocam a culpa na bebida? Isso ajuda a sentir menos culpa na hora de admitir o erro? E Hollie, do que adiantaria ficar na cama lamentando-se o dia inteiro?
- Por que você não cala a boca? Qual o problema de vocês? Ouvi dizer que ficar bêbado é psicológico, e você bebeu somente duas latas de cerveja! Pare ficar aí chorando e vai falar com ele se você realmente o ama.
- O quê? Quem você pensa que é, achando que de um dia pro outro pode chegar aqui e me dizer o que fazer? Você não sabe de nada sobre mim, nem entende nada disso. E é claro que eu o amo. Jamais duvide disso.
- Só que não é o que parece. – Respondi. E após dizer isso, levantei da cama e segui em direção a porta do quarto. Estava farta daquelas pessoas, de qualquer coisa que estivesse relacionada àquele lugar. Acabara de me livrar de uma dúzia de problemas e não estava com paciência para me envolver em conflitos de outras pessoas, ainda mais de alguém como ela. Sabia que ela não era das melhores pessoas. Eu não era obrigada a tolerar aquilo.
Voltei para o meu dormitório, terminei meu almoço, li um pouco durante a tarde e tomei um banho. Teria minha primeira aula de jazz naquela tarde e não poderia perde-la sob hipótese alguma. Eram 15h30min quando Sophie voltou. Separou uma bolsa, a deixou em cima da cama e buscou sua roupa em uma gaveta da cômoda. Não disse nem uma palavra. Será que havia ficado braba comigo? Tudo o que eu precisava no momento era que minha única amiga naquele lugar se virasse contra mim.
- Sophie? – Chamei.
- O que foi? – Disse ela, em um tom neutro mas sem virar para mim, enquanto procurava outra peça de sua roupa de dança.
- Está tudo bem?
- Comigo sim. Não com Hollie.
- Olhe, eu me irritei. Acontece que simplesmente estou cheia desse tipo de gente. Oliver havia conseguido me irritar antes mesmo de eu começar a falar com Hollie.
- Eu sei. Ela é uma pessoa difícil. – Disse, virando-se para mim. – E você tinha razão naquilo que disse.
- Então não está braba?
- Nem um pouco. – Ela sorriu. – Melhor nos arrumarmos. Temos uma hora e meia de jazz pela frente.
- Eu já estou pronta. – Completei, sorrindo.
- Eu não. Volto logo.
Dito isso, ela entrou no banheiro e em cinco minutos saiu de lá vestida e com seu coque pronto.
- Vamos?
- É claro.
Juntei minha bolsa e seguimos para a sala de dança. Não tive dificuldades nas aulas-extra nem para acompanhar o restante da turma e pegara rapidamente os movimentos. Alguns já conhecidos por mim de outros tempos. Foi uma aula divertida, se deixarmos de fora os olhares mortais que Hollie lançava para mim e Sophie de vez em quando. Não a havíamos esperado pois Sophie achou que ela não iria. Se ela já me odiava, agora com certeza esse sentimento havia duplicado.
***
Eram por volta das onze da noite quando bateram em nossa porta. De início, Sophie e eu nos assustamos, mas decidi levantar e espiar pelo olho mágico. Hollie estava na porta, segurando o celular e com a cara inchada novamente. Mas sua expressão não indicava tristeza. Indicava fúria. Mal havia girado a maçaneta quando ela empurrou a porta com força em minha cara.
- Ele terminou comigo. – Disse ela, ficando os pés no chão. – TERMINOU! ACABOU! ESTÁ TUDO ACABADO!
- Hollie... O quê? Calma – disse Sophie enquanto vestia um casaco por cima do pijama curto.
- E A CULPA É SUA, SUA IDIOTA! – Ela virou-se em minha direção e apontou pra mim. – É TOTALMENTE SUA! – E após dizer isso, lançou o celular em minha direção. Por sorte, desviei e ele bateu na parede, fazendo um barulho alto que provavelmente acordaria as garotas do quarto vizinho (se é que a gritaria dela já não houvesse acordado). Meus olhos arregalaram-se, assim como os de Sophie. Abri a boca para falar, mas não consegui dizer nenhuma palavra. – VOCÊ DEVE TER DESCIDO COM ELE AO PORÃO DE PROPÓSITO, NÃO É MESMO? PORQUE QUERIA QUE TUDO ENTRE A GENTE ACABASSE! SEI QUE ESTAVA DE OLHO NELE!
- O que? Hollie, fique calma. Eu jamais faria isso de propósito! O que você está dizendo não faz sentido! – Consegui dizer, mas ela não deu ouvidos.
- Então agora está me chamando de louca? É claro, devo estar fora de mim porque tenho razão, não é mesmo? - Seus olhos estavam cheios d’água e indicavam muita raiva. Ela pegou um porta-lápis de cima de minha escrivaninha e jogou novamente em minha direção, dessa vez acertando-me no rosto. Como estava perto da porta, saí de lá de dentro, temendo que ela arremessasse mais alguma coisa. Minha testa sangrava no local onde ela me havia atingido.
A essa altura, todo o nosso lado do prédio havia acordado. Algumas das garotas já estavam até mesmo fora do quarto, tentando entender o que havia acontecido.
- Hollie, acalme-se! – Ouvi Sophie gritar de dentro do quarto. – O que deu em você?
- Ele terminou comigo, terminou através de uma mensagem! Disse que não podia mais confiar em mim, e já que confiança era a base de tudo, ele não poderia mais manter um relacionamento! Não deu motivos decentes! – Ela praticamente rosnava.
- O quê? Você o traiu, na frente dele! E agora vem culpar a garota? Teria feito a mesma coisa mesmo se ela não estivesse aqui, isso era inevitável!
- O que você acha que está dizendo? Eu... Pensei que fosse minha amiga, mas pelo jeito... – Hollie começou a falar, mas Sophie a interrompeu.
- Eu sei que você realmente o amava há um tempo atrás, mas isso mudou! Você mesma me disse! Eu sou sua amiga há muito tempo e... Bem, eu era. Mas aparentemente estou precisando de novas amizades.
Dito isso, Hollie saiu do quarto em disparada e parou em frente a mim.
- Escute aqui: eu não ligo se tem gente me ouvindo, me olhando, ou o que quer que seja. Se você pensa que pode chegar aqui, roubar meu namorado e minha melhor amiga e sair impune, está muito enganada. Eu vou tornar sua vida um inferno, e mostrar-lhe que pessoas como você...
- Mas o que está acontecendo aqui? Por que todas estão fora das camas? – Ouvi a voz da diretora Price aproximar-se cada vez mais, até que finalmente a enxerguei. Evan estava com ela. Ao nos ver, sua expressão passou de ansiedade a surpresa. Provavelmente por ver Hollie ali, de frente para mim, e minha testa sangrando. Diretora Price parecia frustrada. – Srta. Winfield? Poderia explicar o que está havendo?
- Eu... – Hollie endureceu sua expressão e ficou muda. Seu olhar passou do rosto da diretora ao rosto de Evan, e então para mim.
- Como eu pensava. Para minha sala, imediatamente. Srta. Reynolds, para a enfermaria. Amanhã você me explica melhor essa história. Estou decepcionada com vocês!
- Isso não acabou, garota. -  Hollie passou pelo meio de todas as garotas que já estavam fora de suas camas, encarando Evan o tempo todo. Ele fez um sinal negativo com a cabeça, como se a desprezasse. Diretora Price a acompanhou.
- E vocês, para a cama. Agora! – Disse ela enquanto andava em direção a escadaria. – Em 10 minutos mandarei alguém para verificar se todos já voltaram aos dormitórios.
Sophie saiu do quarto, finalmente. Mantinha lágrimas nos olhos.
- Ah, meu Deus, Nick! Você está bem? – Ela perguntou.
- Estou sim. Obrigada.
- Precisa de ajuda para ir até a enfermaria? Posso ir com você, se quiser.
A maioria das pessoas já voltara para os quartos. Mas Evan permaneceu ali, e aproximou-se de mim tão silenciosamente que só percebi sua presença ali quando colocou sua mão em meu ombro direito.
- Não precisa. Eu irei com ela, para garantir que não se perca. – Falou o garoto, calmamente.
- Tem certeza? Nick?
- Tudo bem. Pode voltar a dormir, Sophie. – Disse eu.
- Ok, então. Por favor, volte logo.
Eu e Evan tomamos o mesmo caminho que Hollie e a diretora Price haviam tomado minutos antes. Ambos estávamos em silêncio.
- Hm, Nick?
- O que?
- Tome – disse ele, alcançando-me seu casaco. – Deve estar com frio. - Só então lembrei que estava de pijama, andando pela escola, com um garoto ao meu lado. E que meu pijama era curto. Corei instantaneamente.
- Ah... obrigada. – Agradeci enquanto vestia o casaco. Estava realmente frio, mas não ligara muito para isso até aquele momento. Só queria chegar até a enfermaria logo.
- Não é nada. Vamos, o ambulatório fica por aqui.
Poucos minutos depois, chegamos ao destino. Evan ofereceu-se para esperar enquanto eu era atendida, mas eu disse que não seria preciso e então ele voltou ao seu quarto. A enfermaria ficava em um compartimento separado do prédio, mas ainda localizada em um lugar acessível. Possuía mais ou menos o tamanho de dois dormitórios e funcionava 24 horas por dia, com enfermeiras que revezavam entre o turno do dia e da noite.  A enfermeira foi paciente e gentil, perguntando o que havia acontecido e surpreendendo-se quando eu disse que quem fizera aquilo fora Hollie, pois a garota era sempre muito calma nesse aspecto. Fez um curativo, e disse que eu poderia voltar para o dormitório. Disse-me que caso sentisse dor de cabeça, deveria tomar uma aspirina, e se não passasse, deveria voltar a vê-la instantaneamente.
Voltei ao quarto. Sophie estava dormindo. Deixei a jaqueta de Evan pendurada na cadeira da escrivaninha, e segui seu exemplo.