CAPÍTULO 6 - Nicole

As aulas começaram em uma quarta-feira gelada, quase tanto quanto foram meus outros dias em Faint Ville. Não era muito mais frio do que em Cameron Bay, mas eu ainda conseguia notar a diferença. Acordei por volta das 6h30min, tomei um banho esperando me esquentar, vesti o novo uniforme e penteei os cabelos. Costumava usar uma maquiagem básica. Não gostava de chamar muita atenção nesse quesito, pelo menos não enquanto estivesse longe do palco. Em meia hora, estava pronta. Sophie acordou 15 minutos mais tarde que eu, mas demorava bem menos tempo para ficar pronta. Perguntou-me se eu estava ansiosa. Respondi que não, mas era mentira. Ela sugeriu que fôssemos para a cozinha preparar pelo menos um café, e foi o que fizemos em seguida.
Em pouco tempo, já estávamos de volta ao quarto e com alguns minutos de sobra, mas decidimos ir para a sala de aula. Sophie disse que estava louca para me apresentar algumas de suas outras poucas amigas, o que me ajudaria muito, já que tínhamos somente duas aulas juntas naquela manhã. Encontramos Hollie no corredor, próximo às escadas que nos levavam ao andar principal do prédio dos dormitórios. Ela vestia o uniforme padrão, porém usava um broche dourado com duas flores que dava um ar especial à sua roupa. Ela disse que era aquilo que a tornava diferente dos demais. Nos acompanhou até o pátio, e então até o corredor externo que ligava o prédio dos alunos ao da escola, onde encontrou-se com Evan. Eu ainda me perguntava o porquê de ele me odiar. Não havia nenhum motivo óbvio para isso, então deduzi que fosse simplesmente o fato de que “nossos santos não batessem”. Continuava não tendo nada contra o garoto. Ele até parecia legal.
- Bom dia, meu bem – disse Hollie à Evan, que se encontrava escorado em um dos pilares de pedra que sustentava a abóbada do corredor enquanto conversava com outros dois garotos; um moreno de olhos escuros e um loiro, como ele.
- E aí, Hollie? – Ele a puxou para perto e a beijou fervorosamente. – Bom dia. Estava conversando com os rapazes sobre o próximo ensaio da banda, que a princípio está marcado para esta noite. Gostaria de vir nos assistir? Vai ser um ensaio aberto ao público, no Porão. As metas para hoje são mostrar que podemos ser melhores do que já somos.
- Posso levar Nick e Sophie comigo?
Pude perceber pelo olhar que ele nos lançou que a ideia não lhe agradava muito, mas no fim, acabou cedendo. Um pouco por Hollie, um pouco por seus amigos que o cutucaram para que deixasse.
- Claro. Sem problemas. – Ele voltou seu olhar para ela e beijou sua testa. - Precisamos ir, ou vamos nos atrasar para o primeiro tempo. E está frio aqui fora.
- Ok.
- Até depois, pequena. – Ele a beijou novamente, ajeitou sua mochila nas costas e seguiu pelo corredor com Ryan, o garoto loiro, e Oliver.
Hollie ficou para ali por mais algum tempo, esperando que uma de nós falasse alguma coisa. Como ninguém disse nada, ela mesma tomou a iniciativa.
- E então? O que acham de irmos ao Porão?
- Hm... É dia de semana. – Disse Sophie.
- Eu sei, mas não precisamos ficar até tarde! Só dar uma passadinha por lá e...
- Hollie, não é uma boa ideia.
- Por favor! Eu... O que você quer que eu faça para que você vá comigo?
- Está tentando me subornar? – Perguntou Sophie, rindo. Hollie logo se juntou a ela.
- Talvez.
- Gente, o que é esse tal de Porão? – Perguntei, sentindo-me a pessoa mais desinformada do mundo. Odiava ser a novata onde quer que fosse. Era como se eu ficasse de fora de toda e qualquer coisa que pudesse acontecer por lá.
- Meu Deus, esqueci de explicar para você. Mas irá, não é mesmo? – Hollie falou.
- Se me disser o que é, quem sabe.
- O Porão é a antiga sala de música da escola. Ela foi interditada assim que uma parte do prédio antigo da escola pegou fogo. Hoje os alunos a usam para festas e coisas do tipo, já que sua estrutura não foi danificada nem nada assim. É um lugar grande o suficiente para abrigar cerca de 100 pessoas. Fica naquele logo ali. – Ela então apontou para um dos prédios da escola, o qual podia-se notar a diferença na cor pelo incêndio que o havia tomado cerca de 3 anos antes e as paredes descascadas cobertas de limo e desgastadas pelo tempo. – Bem, no porão, como o nome já diz.
- Não é perigoso?
- Ninguém nunca morreu. – Ela deu de ombros e gargalhou ao notar minha cara de pavor. – Estou brincando. É sim. A estrutura permanece intacta até hoje.
- E o que exatamente eles irão ensaiar? – Questionei, enquanto caminhávamos até o colégio.
- Bem, o Evan tem uma banda junto com Ryan e Oliver. A Nephilim, que até é bastante conhecida aqui em Faint Ville. Evan canta e toca guitarra. Ryan fica na bateria e Oliver no baixo e guitarra. As garotas adoram eles, principalmente Evan, mas fico feliz em poder dizer que a única que ele ama sou eu. Me sinto a pessoa mais sortuda do mundo todo por isso, embora várias das fãs dele me odeiem. Mas aprendi a lidar com isso e nem foi tão difícil assim, sabe...
- Hollie, a Nick perguntou sobre a banda, não sobre o seu relacionamento. – Sophie interrompeu.
- Ah. Ok, desculpe. Costumo me empolgar falando disso. Como você deve ter percebido. – Ela corou – A banda produz um som mais indie/rock. Particularmente, acho muito boa.  
- Tenho certeza de que seria divertido, mas, como a Sophie disse, é quarta-feira.
- Qual é, vocês são muito sem graça. – Disse Hollie com um ar de desapontamento. Sophie olhou para mim com o canto do olho e piscou o olho esquerdo. Sorri para ela. Nós duas iríamos ao ensaio da Nephilim naquela noite, com certeza.
- Está bem. – Disse.
- O quê?
- Eu vou. – Suspirei.
- Sério? – Ela perguntou, já mais empolgada.
- Pode ter certeza. – Concordei.
- Bom, também não vou ficar de fora dessa. – Exclamou Sophie.
Hollie deu um gritinho de alegria e nos abraçou. Foi provavelmente a coisa mais “patricinha” que eu já vi alguém fazer na minha vida. Menos de um minuto depois, quando estávamos terminando de atravessar o extenso corredor, o sinal soou. Ele indicava que deveríamos nos dirigir até nossas salas de aula imediatamente. Minha primeira aula seria de história, juntamente com Hollie. Sophie faria apenas três aulas comigo, e não teríamos nenhuma daquelas matérias no dia.
Sempre gostara de história, ou pelo menos de uma parte do conteúdo. Adorava aprender sobre as antigas civilizações e sobre como eles viviam. Sobre como interpretavam o movimento dos planetas, como descreviam seus deuses e como acreditavam tão cegamente em algumas coisas. Tudo aquilo que haviam criado e repassado às próximas gerações. Os grandes impérios, as grandes construções que hoje encontravam-se entre as grandes maravilhas do mundo. Mitos e lendas capazes de explicar as coisas mais banais. Tudo me deixava incrivelmente fascinada. Só não me empolgava muito com algumas coisas.
A aula foi até mais interessante do que eu pensava que seria. Recebemos uma pesquisa para fazer sobre as antigas civilizações que populavam a América Latina. Poderíamos usar material digital e nos reunirmos em grupos de até 4 pessoas. Fiquei com Hollie e Oliver, o garoto moreno que era amigo de Evan.
- E aí, novata. Pronta para o Porão? – Ele perguntou ao sentar na mesa vaga ao meu lado.
- Eu acho que sim. Pelo Hollie descreveu parece ser bem interessante. – Falei, tentando ser simpática.
- Pode apostar que sim. Seria bom te ver por lá.
- É? E o que você acha que pode me fazer gostar do lugar?
- Não querendo me gabar, mas a banda é boa.
- Tenho várias bandas boas no meu ipod que tocam para mim a hora que eu quiser.
- Mas nenhuma delas tem a mim.
- E o que o tornaria especial?
- Bem, talvez você devesse sair comigo para descobrir isso. – Ele piscou pra mim e me entregou seu telefone anotado em uma folha de papel, pouco antes de Hollie voltar da mesa da professora, onde fora pegar o assunto do trabalho, e sentar-se com a gente.
- Aparentemente, devemos fazer um trabalho científico sobre a civilização Maia, que deve incluir todos os seus aspectos e características mais chamativas. Modo de vida, absolutamente tudo. Tudo o que conseguirmos encontrar online ou em livros nos pode ser útil, então pensei que poderíamos nos reunir na biblioteca qualquer dia desses, pode ser?
- Sem chance – Disse Oliver – Tenho coisa melhor pra fazer.
- Que tipo de coisa pode ser mais importante que um trabalho da escola quando essa é sua única preocupação?
- Sei lá, qualquer coisa. Mas não.
- Alguém já lhe disse que você é um idiota, hoje? – Hollie revirou os olhos - Certo. Então precisaremos pesquisar agora e na aula que vem.
- Posso pesquisar uma parte durante meu tempo livre, se quiser... – Sugeri
- Isso. Seria de grande valia. Também o farei. – Ela concordou.
Passamos o restante da aula pesquisando e conseguimos montar as primeiras duas páginas do trabalho. No fim, talvez nosso grupo desse algum resultado. Oliver se recusara a vir durante a tarde mas resumia os assuntos muito bem e era ágil na hora da coleta do material a ser usado. Ele ficou com a parte de reescrever e organizar os textos, enquanto eu e Hollie procurávamos mais conteúdo. Digamos que ele tenha feito um ótimo trabalho. Talvez pudesse considerar a ideia de sair com ele qualquer hora, mas ele me parecia meio arrogante demais. Ele e os demais colegas da banda. Depois de 40 minutos de pesquisa, o sinal soou novamente, indicando que era hora de trocar de sala.
Segui para a classe de matemática, depois física, química e literatura. Consegui fazer amizade com uma garota morena e baixinha de longos cabelos negros chamada Cassidy.  Frequentávamos as aulas de matemática, química e literatura juntas. Ela fora uma das poucas pessoas que me tratou bem no meu primeiro dia. A maioria dos outros alunos sequer olhou para mim.
Os professores, no geral, foram tranquilos. E ao final do meu primeiro dia na escola, estava cansada, porém sem nenhum dever, e bastante interessada em ficar no quarto lendo ou vendo filmes o restante do dia. Sophie também, e depois do almoço, nós duas escolhemos a um romance dos anos 90 e assistimos durante a maior parte da tarde. Na segunda metade, ela saiu comigo pela escola em busca da Srta. Lynn, para que eu pudesse, finalmente, entregar minha inscrição. Ela me recebeu carinhosamente e fez um teste para saber qual seria meu nível. Se eu fizesse umas três aulas-extra com ela para pegar o ritmo, poderia ficar no mesmo grupo que Sophie. Eu tinha certeza de que aquele seria um ótimo ano, apesar de tudo o que havia acontecido até então.
Quando a noite chegou, por volta das 18h, Hollie apareceu em nosso quarto para avisar que o ensaio começaria dentro de uma hora. Tomei um banho rápido, sem lavar os cabelos, e coloquei uma roupa simples. Calça jeans, camiseta, casaco. Um tênis para completar. E só. Não via motivos para me arrumar muito. Sophie também tentou não exagerar no que vestir. Estava com um moletom cinza, uma leggin preta e coturnos igualmente pretos. As 18h40, seguimos para o corredor principal, onde encontramos com Hollie e então seguimos para o Porão.
***
Chegamos lá em menos de 10 minutos. Sete, para ser exata. A entrada do local ficava em uma das laterais do prédio, próxima a porta principal. Passando por ela, encontrávamo-nos em uma extensa escadaria. O lugar era escuro, e apenas algumas luminárias nas paredes nos cediam a luz para que enxergássemos o próximo degrau. Podia-se ouvir a música logo do começo da escada, mas não do lado de fora. As paredes possuíam um bom isolamento acústico, não permitindo assim que a diretora e os professores descobrissem para o que a antiga sala era usada. Já no final da escadaria, pude notar o show de luzes e o movimento das pessoas, que dançavam ao som de uma música eletrônica. O ensaio da banda ainda não havia começado, mas parecia mais com um show do que apenas isso. O Porão era abafado. Viam-se garotas apenas com saia e blusas curtas. Me sentia excluída do grupo, mas não era uma coisa necessariamente ruim. Haviam tantas máquinas de fumaça que já estava me sentindo o equivalente a um fumante. 
Hollie nos pegou pela mão e levou para perto do palco, onde poderíamos ter uma visão melhor e mais ampla do “show” da Nephilim. Os meninos já estavam com o equipamento montado, mas nenhum deles estava no palco ou próximo dele. Hollie contou que havia uma outra salinha atrás do palco, onde costumavam ficar antes de shows ou ensaios abertos, como se fosse uma espécie de camarim.
Em meio ao público dançante, não haviam apenas alunos, mas também algumas fãs locais da banda que faziam de tudo para vê-los sempre que podiam. Sempre achei esse negócio meio doentio, idolatrar alguém que sequer sabe da sua existência. É claro que eu já fui fã de várias bandas e artistas e sou até hoje, mas não vejo o porquê de fazerem loucuras para isso. O povo foi enlouqueceu quando Evan e os outros dois garotos subiram ao palco e se organizaram nas devidas posições. A música que tocava parou e eles começaram o ensaio (ou show?) com uma música que, preciso admitir, era cativante. Logo me juntei às outras garotas e me deixei levar pelo ritmo de Revolution, uma de suas músicas mais novas, segundo Sophie. Evan cantava estupidamente bem, e a banda, no geral, era mesmo muito boa. Oliver olhava para mim o tempo todo, e eu retribuía o olhar, até que Sophie me tirou do transe.
- Ei! – Gritou, próximo ao meu ouvido direito. Finalmente desviei o olhar do garoto e dei de cara com a jovem de cabelos ruivos. – Nick!
- O quê?
- O que é que está rolando entre vocês? Já chegou na escola arrasando corações? – Ela ria enquanto pulava e dançava junto com a música.
- Não, – senti meu rosto corar – não é nada.
- Sei. – Falou, desconfiada.
- Não acredite em nenhuma palavra dela! Vi os dois juntos durante a aula de história!
- Obrigada pelo apoio, Hollie. Mas não é nada, eu juro.
- Ah, sabemos que não.  – E dizendo isso ironicamente, elas voltaram a dançar.
Decidi que precisava de uma bebida, então fui até o local onde havia uma caixa de isopor e retirei de dentro uma lata de refrigerante. Voltei para junto das garotas apenas alguns minutos depois, já que demorei até conseguir passar pelo meio de toda aquela gente. Era incrível o modo como todas elas estavam enlouquecidas pela batida da música. Algumas pareciam bêbadas, o que não era de nenhuma surpresa já que haviam várias garrafas de cerveja no isopor ao lado do qual eu havia pego meu refrigerante.
A banda tocou até as 21h, e então desceram do palco para juntar-se a multidão. Evan e Oliver juntaram-se a nós e Ryan foi para junto de sua namorada, uma garota com a lateral da cabeça raspada e cheia de piercings. Dancei mais um pouco junto deles, até me sentir intoxicada o suficiente pela fumaça. Sophie e Hollie ainda não queriam voltar para o quarto, então me contentei em sair um pouco pelo menos para tomar um ar. Convidei Oliver para vir comigo, mas ele disse que gostaria de se divertir um pouco antes de me acompanhar. Sugeriu que eu ficasse, mas eu não quis. Realmente precisava sair daquele sufoco. Não era algo que eu realmente gostasse de fazer. Festas não eram meu passatempo preferido.
A noite estava gelada, mas o céu estava lindo. Havia parado de nevar, então pude ver as estrelas. Senti saudades de casa por um momento. Quando crianças, eu, Sarah, meu pai e minha mãe costumávamos sair para acampar. Por horas, ficávamos deitados do lado de fora da barraca, observando as estrelas. Escorei-me contra a parede do prédio, ao lado da porta, e fiquei lá por algum tempo. Devo ter somado pelo menos uma hora pensando sobre o desconhecido, até que notei um movimento nas escadas. Acreditei serem Sophie e Hollie, mas dei de cara com Evan. Um fio de sangue escorria pelo canto esquerdo de sua boca e ele não parecia exatamente bem. Na verdade, estava longe disso. Estava atordoado. Apoiou as mãos nos joelhos e inclinou-se para frente, como se se recuperasse de algo. E ali permaneceu, sem sequer notar minha presença. O observei. Ele ficava bonito à luz da lua. Tomei coragem e chamei por ele.
- Hm... Evan?
Ele se assustou e subitamente ficou de pé. Logo, me encarou, surpreso.
- Esteve aí o tempo todo?
- Desde antes de você sair.
- Ah...
- Se importa se eu perguntar o que houve?
- Não houve nada. – Respondeu ele estupidamente.
- Sua boca está sangrando.
Ele levou a mão direita aos lábios e está ficou manchada de vermelho.
- Droga – reclamou ao puxar a manga da camisa, de forma que cobrisse a palma da mão e ele pudesse limpar o sangue que havia ali.
- Andou se metendo em alguma briga? – Questionei
- Olha só, o que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta.
- Grosso. – Revirei os olhos.
- O quê?
- Eu disse que você é grosso. E tem mais, é patético.
- E como chegou a essa conclusão? Você sequer me conhece. Não pode falar nada.
- Foi essa a impressão que você me deu. Ainda mais com as respostas de agora.
- A culpa não é minha se você se baseia em suas primeiras impressões.
- Idiota.
- Cale a boca e deixe de ser infantil.
- Eu estou sendo infantil? Sério?
- É.
- Só pra começar, eu perguntei se você estava bem e...
- Você perguntou o que havia acontecido. – Evan interrompeu. E o que mais me deixava irritada em toda a situação é que ele estava certo.
- Ok. Desculpe. Você está bem?
- Eu pareço bem para você?
- Não muito.
- Então já sabe a resposta.
- Tudo bem, eu desisto de tentar me preocupar com você.
- Não têm que se preocupar comigo!
- Você apareceu aqui com a boca sangrando, o que queria que eu pensasse?
Evan ficou em silêncio por alguns minutos, e então respondeu, escorando-se ao meu lado na parede.
- Desculpe ter sido arrogante com você.
- Vai me contar o que houve? – Perguntei.
- Um pequeno desentendimento com Oliver.
- Ele está bem?
- Uau, agradeço sua preocupação. Seu namoradinho bebeu um pouco demais.
- Então, eu achei que não seria muito educado comentar, mas você está com um cheiro horrível de cerveja.
- Mas não estou bêbado. Todo mundo fica com cheiro de cerveja quando sai dali.
- Hm.
- Ele estava tentando beijar Hollie. – Por fim, admitiu.
- O quê?
Essa havia me pegado desprevenida. Não fora naquela mesma manhã que ele me chamara para sair?
- Eu disse, ele está bêbado. Sempre que bebe um pouquinho além sai tentando pegar todas as garotas que vê pela frente. Ele é idiota demais.
- Bom saber.
- Ele já te chamou para sair, não é? – Exclamou ele, como se já soubesse de tudo.
- Talvez. – Disse. – Bem, sim. Hoje de manhã.
- Típico. Ele sempre faz isso com as novatas. Só sai com uma até que apareça outra pessoa que o interesse e distraia mais que a anterior. Ele não tem o mínimo de caráter. E você é bonita, já era de se esperar que ele fizesse isso.
- O quê?
- Ele é um idiota sem caráter que sempre faz esse tipo de coisa.
- Depois disso.
- Não disse nada.
- Disse que eu era bonita.
- Ah. Bem, é verdade.
- E parece que você não é grosso o tempo todo. – Falei enquanto batia palmas ironicamente.
- De nada.
Eu ri e fiquei em silêncio pelos próximos minutos, até que ele resolveu puxar assunto. Conversamos sobre música e descobri que seu gosto era na verdade bem parecido com o meu. Meu relógio marcava 23h30min quando resolvi entrar para chamar Hollie e Sophie. Estava tarde e precisávamos voltar para os dormitórios imediatamente, antes que percebessem que não estávamos lá. Se é que já não haviam percebido. Não queria problemas logo na minha primeira semana.
Demorei mais meia hora para encontrá-las em meio ao povo todo. Evan me acompanhara de volta até lá em baixo, a procura de Hollie. Não fiquei surpresa por ele ter ido embora sem se despedir depois de vê-la beijando Oliver.